sexta-feira, 2 de maio de 2008



Eles verdes são:E têm por usançaNa cor esperançaE nas obras não.Camões, Rimas.São uns olhos verdes, verdes,Uns olhos de verde-mar,Quando o tempo vai bonança;Uns olhos cor de esperançaUns olhos por que morri;Que, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!Como duas esmeraldas,Iguais na forma e na cor,Têm luz mais branda e mais forte.Diz uma - vida, outra - morte;Uma - loucura, outra - amor.Mas, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!São verdes da cor do prado,Exprimem qualquer paixão,Tão facilmente se inflamam,Tão meigamente derramamFogo e luz do coração;Mas, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!São uns olhos verdes, verdes,Que pode também brilhar;Não são de um verde embaçado,Mas verdes da cor do padro,Mas verdes da cor do mar.Mas, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!Como se lê num espelhoPude ler nos olhos seus!Os olhos mostram a alma,Que as ondas postas em calmaTambém refletem os céus;Mas, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!Dizei vós, ó meus amigosSe vos perguntam por mi,Que eu vivo só da lembrançaDe uns olhos da cor da esperança,De uns olhos verdes que vi!Que, ai de mi!Nem já sei qual fiquei sendoDepois que os vi!Dizei vós: Triste do bardo!Deixou-se de amor finar!Viu uns olhos verdes, verdes,Uns olhos da cor do mar;Eram verdes sem esp’rança,Davam amor sem amar!Dizei-o vós, meus amigos,Que, ai de mi!Não pertenço mais à vidaDepois que os vi!

Um comentário:

Anônimo disse...

VC É A DONA DESSES LINDOS OLHOS VERDES?

BJ